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sábado, outubro 29, 2011

Fúnebre

Andreia sai de casa. Está com a mente levitando em algum lugar perdido, nem ela consegui decifrar. Encara pessoas."Porque estão me encarando" pensa, decifra, implora, grita. O sangue fica mais quente, ferve. Como as lembranças de algo que não sabe o significado. As almas dos perdidos vira sua sombra. Desmaia. Vai ao paraíso e a terra. Vê estrelas no chão e árvores no céu. Tudo gira, obscuridade em consciência humana. Dissipa sangue, medo. Criança perdida em colo de mãe. Acorda no escuro. Azul marinho. Entre lápides, barulhos e monstros se vê perdida. "Meu Deus" se apavora. Na verdade nunca acreditou em Deus, mas agora reza. A mente é pertubada. Anda metros, cai no precipício. Se salva de sua mente insana, agora adormecida com cheiro de sangue.

Flagra


A harmonia se expandiu modestamente quando ela olhou para trás. Menina, réplica de uma das deusas que ninguém mais lembra, de doçura incrível, mãos leves e punhos fortes. Mas é gélida, bruta, intocável... e perfeita. Te admiro da janela do quarto, enquanto o vento forte beija seu pálido rosto. Te vejo sem movimento, na inércia de um dia de chuva. Chega de retrocessos... te peguei no flagra! Ela não tem vida, ela tem alma... ela é uma estátua!

sábado, outubro 01, 2011

Olhar

Olhando para o céu
Olhando para as estrelas.
É noite de verão.
Me afogo na brisa límpida, clara,
translúcida água.
Me enxugo de aura bonita,
coisa de criança fingida,
De balão que sobe ao infinito,
até no ponto máximo estourar.
Mas continuo
Olhando para o céu
Olhando para mim,
Como nunca tinha me amado antes.

quinta-feira, julho 14, 2011

Agressão interior


Sabe quando bate aquela vontade louca de escrever? Quando ideias intactas estão na sua mente e não sai de forma alguma até que passe para o papel (ou blog,rs)? Bem, foi o que aconteceu hoje. Mas não sabia como fazer o final, nem o meio, muito menos o começo. Ai deu nisso, espero que gostem!

Mariana acordou assustada (gosto de Mariana, é pessoa dupla). Sonhou estar abandonada por todos, pelo mundo, e seus "animigos"(aquele amigo inimigo). Estava chovendo intensamente ás 7h. Levantou-se, não penteou os cabelos, na verdade nunca penteava. Escovou os dentes e tomou o café da manhã: bolacha água e sal. Nunca entendeu porque tinha que escovar os dentes antes das refeições, pois escovaria também depois. Era água desperdiçada junto com pasta de dente que deixava os dentes brancos. Era o que estava escrito no rótulo. Foi para a escola as 9h. (será que existe escola que a entrada de alunos é as 9h?)
Era sofredora.Um ser totalmente intelectual com todo amor para oferecer era desprezada por aparência. Não gostava de marcas, era excluída. Não gostava de modas, era excluída. Não gostava de maquiagem, era excluída. A exclusão é uma doença, uma hora você reconhece que precisa ser excluída, por meios que justificam seus fins. Como a gripe.
Lutou contra essa e outras doenças quase o começo de sua vida inteira. Não se prestava. Não deixava se prestar. E assim se isolava. Ficou corcunda com o tempo, pois apreciava o chão (era a fuga das pessoas, olhar para elas era como se estivesse vendo alguém a morrer). Se odiava, pensava em suicídio, ou talvez e homícidio. Porque não? Já estava na pior mesmo, a cadeia não seria tão maléfica como nas novelas das 8h.
Com dezoito se drogou, vinte matou, na verdade se matava aos poucos. Roubava. Gostava disso. Trauma de infância a deixou perversa, ainda mais com a chegada da adolescência. Roubava por gostar de tirar o maior patrimônio do ser humano, o material. A vítima não se importava em morrer, ou talvez se ficasse com sequelas pela vida inteira. Só não deixavam o orgulho escapar junto com a vaidade.
Assim vão passando os anos, e Mariana se torna a pessoa mais perversa do mundo, ou melhor, de sua cidade. As pessoas que as transformaram, conseguiram seu objetivo, ela concordou. Sem saber. Seu mundo era seu pesadelo, as pessoas eram os monstros, e ela, a mocinha. Nunca amou ninguém. Nunca ofereceu carinho. Nunca chorou. Mariana se tornou pedra, pedra difícil de quebrar. Se quebrasse, era pó.
Mariana Morreu esse ano. De cirrose. Dói-me o coração quando penso nela. Eu a amei. Amei. Intensamente. Me culpo todos os dias por meus atos. Vaidoso fui, sem poder fui, e ainda sou. Que vontade tenho de voltar, recomeçar tudo. Do zero. Mas não posso. Mas continuo a te amar doce Mariana. Mas fique sabendo que conseguiu o que queria. Maltrata a mente de todos agora, inclusive a minha. Colocou rocha pesada, que levaremos até o fim de nossas vidas, por seu fim cruel. Mas ainda te amo. Patrick

A história ficou meio sem nexo...mas gosto disso.
Bjs

segunda-feira, julho 11, 2011

Superfície



Hoje tentei mudar,
Juro que tentei mudar!
Acordei com pé esquerdo,
Arrumei a cama primeiro,
Antes de escovar os dentes.
Pintei o cabelo,
Cortei as malditas unhas roídas.
As pintei de verde.
Cherei uma rosa azul,
Tirei fotos de cabeça para baixo.
Dancei.
Ouvi discos do Roberto Carlos,
Xuxa e do Balão Mágico.
Pintei.
O céu, as estrelas,
O olho agora ficou azul,
Botei saia,
Usei vestido com botas.
Mas nada disso adiantou
Somente botei o disfarce,
Coloquei máscara e roupa desconfortável,
Mas não me reconheci.
"Aff".
Esquece,
Bote um "Ctrl+z"
Me programei errada.
Estava melhor do jeito que estava:
Feliz.

Delírios de cada dia qualquer



Completei as letras do alfabeto
Contei todas as probabilidades possíveis,
Fiz,
Me refiz.
E assim permaneço contando.

Completei meu tempo, meus segundos
Minutos.
Sem mim.
Me isolei,
Me fingi.
Mudei por mim.

Serei o belo improvável,
Não belo de beleza
Mas beleza do coração
Por sobriedade minha me isolei.

Fugi dos casos por querer
Ser feliz novamente
Talvez melhor que você.
Não serei a mesma,
Me afirmei
Serei uma outra
Qualquer
Que nasce a cada dia,
Contando números
Sem saber.

quinta-feira, junho 30, 2011

Tempo perdido, valor conquistado



Minha vida não foi simples,

Sou gente grande,

Muito vivida.

Criarei uma máquina,

Bem enorme,

Voltarei ao passado

Para arrumar minha história.

O simples pra mim não importava,

Nem via estrelas na madrugada.

Fiquei rico,

E também muito pobre,

Pois não tive amigos,

Nem sequer namorada.

Passou muito tempo,

Fui ficando sozinho,

Ficando abandonado.

Pensei comigo:

O que estou fazendo?

Deixando tudo de lado?

Agora já é tarde,

Arrependido estou.

Vejo estrelas e flores,

Aprendi a ser feliz e talvez até amar.

Agora vivo a achar solução,

Do tempo perdido,

Que eu aflito,

Deixei cair entre as mãos.

Mas uma coisa eu te peço,

Dê valor a qualquer gesto,

Por menor que seja.

É mais valioso do que aquele ouro,

Que achei no começo de minha história,

Caído sob areia.