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quarta-feira, julho 14, 2010

Maria era uma bela mulher, de traços suaves, de sorriso franco mostrando sempre seus dentes brancos, e uma alma encantadora. Viveu muito bem sua infância e aproveitou sua adolescência com cuidado e alegria.
Quando mais adulta casou-se com Sérgio, um homem muito bonito e bem apessuado. Ele a amava, mas ela nem tanto. Teve um filho com ele que herdou seus olhos e o sorriso da mãe. Ela era cercada de cuidados, tinha a vida de princesa, a vida que qualquer mulher queria, mas ela não quis.
Ao completar 25 anos, conheceu um rapaz nem tão bonito e elegante que Sérgio. Foi paixão. Fugiu com Almir, e deixou a criança com o pai, não queria ter a lembrança de seu antigo marido. Foi morar em uma casa de dois cômodos e sem banheiro e só uma janela. Nessa janela passava seu tempo a admirar as pessoas e o local destruído em que agora vivia. Experimentou drogas, aprendeu a usar armas com o seu novo marido. Teve cinco filhos, e agora trabalha de doméstica para sustentar Almir.
Almir foi assassinado por traficantes quando ela estava na espera do sexto filho. Ela começou a trabalhar em dois empregos. Os filhos cresceram e ela não precisava mais trabalhar, se aposentou e hoje somente espera a sua hora chegar. Hoje ela se arrepende de suas escolhas e de principalmente ter deixado seu filho. Pode passar na Avenida Solidão, nº 13, para comprovar com os seus olhos que arrependimento não mata, mas destrói a pessoa aos poucos.

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